segunda-feira, 16 de julho de 2012

Voto Giannazi prefeito 50! - Por que?

 
Queridos amigos!

Não é segredo para ninguém a minha opção pelo comunismo. Estou, portanto, bem ciente de todas as limitações institucionais, de todos as questões teóricas envolvidas...

Eu me coloco aqui pela candidatura do Giannazi por que?

Acho que o PT entrou numa crise de identidade muito séria, abrindo mão de muitas de suas bandeiras históricas, desencadeando uma crise geral na esquerda, que se nota cada vez mais séria, culminando com o famigerado aperto de mão entre Lula, Maluf e Haddad. Ficou claro que a cúpula do PT (e não a sua base honesta, que eu respeito e tenho laços) "oPTou" pelo abandono do projeto popular.

Vejo na aliança do PCB com o PSOL uma grande chance para a esquerda. A chance de reconstruir um projeto popular, socialista e democrático. Ou seja, a questão não é esse ou aquele partido, a questão não é só votar 50 no dia 07/10. A qyestão é que o que está em jogo é reconstruirmos a esquerda e seguirmos firmes na nossa batalha.

Àqueles que estão temerosos e pensando em fazer o "voto útil". Quando o Suplicy saiu candidato em 1985 não valia mais a pena fortalecer o PT? Ou quando o Plínio de Arruda Sampaio saiu pelo PT em 1990 na candidatura a governador?

Pois bem, a hora é essa! VOTAR 50 E CONSTRUIR UM PROJETO SOCIALISTA PARA O BRASIL!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Curtinha: São Paulo

O GUARDA CIVIL NÃO QUER A ROUPA NO QUARADOR!


O paulistano é uma espécie de mulher de malandro que parece que quanto mais apanha da sua cidade mais se apaixona por ela.

Semana retrasada (pois é, to deixando mesmo o blog de lado), o meu Timão foi campeão da Libertadores. Festa, rojões e muita alegria. Parecia um carnaval. As ruas se encheram de gente, enfim, gente!

Mas como essa é a cidade dos automóveis e "as pessoas da Paulista precisam dormir", logo a Polícia fez questão de reprimir com bombas de gás lacrimogêneo a comemoração do título por parte dos corinthianos.

Fiquei embasbacado como as pessoas são capazes de formular imensos xingamentos sem qualquer motivo, cegados pelo fanatismo futebolístico burro, falando dos "bandidos corinthianos", "maloqueiros", apenas reproduzindo o pensamento conservador que se apoderou da nossa cidade desde sempre e nunca mais se foi embora. Nenhuma linha sobre a atuação da PM - que já tinha feito algo semelhante na comemoração do Brasileirão 2011.

Parece que o Kassab (que, felizmente vai embora!) não quer uma cidade para gente.

Em São Paulo não pode "sopão" para pobre, não pode protestar nas ruas, não pode sequer comemorar um título desportivo.

Porém, com todo defeito te carrego no meu peito, como cantava Tom Zé.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Chavismo e populismo chavista: Dois mitos



Chavismo?
                Um fantasma ronda a América Latina, não é o do comunismo, ainda. Entretanto, após a crise neoliberal da década de 1990 e de um refluxo da esquerda, em toda América Latina governos de corte progressista ascenderam ao governo.      Em 2007, Rafael Correa, presidente do Equador afirmou com todas as letras que “estava chegando ao fim a triste noite neoliberal na América Latina”.
            Ao perceber a radicalização do processo de mudanças na Venezuela, que, com todos os seus defeitos, segue com enormes conquistas sociais, ao ponto de num estudo realizado pela University of Columbia ser declarado o país mais feliz da América do Sul, sendo que “na Venezuela, há um sentimento de bem-estar geral, produto de uma política de distribuição equitativa da riqueza, implementada pelo presidente Hugo Chávez, logo tratou-se de particularizar a situação.
Quando se pretende criticar a Revolução Bolivariana, tanto da direita, como também a partir de setores que se pretendem de esquerda e que caem na armadilha preparada pela direita, fala-se em Chavismo. Mas o que é o chavismo?
Esses “ismos”, quando bem utilizados, significam que há uma doutrina com um embasamento teórico, como personalismo, socialismo, capitalismo etc.
No contexto do populismo na América Latina, lá pelos anos de 1930, 1940, até sua crise no fim dos anos 60, podia-se falar em “peronismo”, “varguismo” porque ambos formularam um pensamento e um comportamento político sui generis, que não existia, fortemente baseado no personalismo, impedindo a ascensão de outros líderes e eliminando a discussão interna.
Hugo Chávez, entretanto, faz exatamente o contrário. Baseia-se em Marx, Engels, Lenin, Trotsky e até mesmo em teóricos menos explorados pela esquerda “ortodoxa”, como Kropotkin. Dessa forma, falar em “chavismo” ou é desinformação ou é desonestidade da imprensa corporativista. Conhecendo seu histórico, fico com a segunda opção. Além disso, o processo de discussão interna na Venezuela existe, o PSUV é um partido plural com múltiplas tendências, o Partido Comunista Venezuelano faz várias críticas e é respeitado quando as faz.
 Quando Chávez renegou o “marxismo-leninismo” não renegou Marx, nem Lenin, senão aquela ideologia dogmática que conduziu nos anos de 1960, 1970 a classe trabalhadora ao fracasso, quando não à atitude passiva, pois baseava-se em teses universais que desprezavam a realidade nacional de cada território, no caso do Brasil, durante anos buscou-se uma aliança do proletariado com a burguesia nacional, que mais tarde mostrou-se incapaz de caminhar com as próprias pernas, aliando-se ao imperialismo e levando ao Golpe de 1964.
Populismo “chavista”
            Ao mesmo tempo em que fala em chavismo, a mídia tradicional também acusa Chávez de populismo, desprezando o contexto histórico atual e do populismo.
            Quando o populismo surge, nos anos 1930, surge como uma ideologia burguesa modernizadora, ou seja, tratava-se de um projeto capitalista, que visava desenvolver a economia nacional, a despeito do interesse de antigas oligarquias, tendo como um de seus principais inimigos o fortalecimento do ideal comunista em toda América Latina.
            Assim, com políticas corporativistas, sem qualquer liberdade sindical, os governantes populistas implementaram algumas políticas de segurança social para melhorar em alguns aspectos a qualidade de vida do trabalhador urbano, excluindo o trabalhador rural, para diminuir a influência das lideranças comunistas.
            Hoje, 80 anos depois, na Venezuela não se trata de um processo de modernização do capitalismo. Hugo Chávez está claramente ao lado do proletariado. A reforma agrária, a política salarial, a nacionalização dos bancos caminham em direção socialista. Não é possível, a partir dessa sociedade capitalista uma mudança brusca em direção ao socialismo e depois ao comunismo. É necessário que se lancem as bases para que se possa construir o socialismo, projeto de longo prazo.
            Dessa forma, que se jogue fora o anacronismo da imprensa burguesa e que comece a discussão por uma teoria da transição.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

José Paulo Netto: Uma retrospectiva do movimento operário no Mundo e o "neoliberalismo"

Não há muito o que eu falar por aqui. Apenas que José Paulo Netto, atualmente no PCB, é um dos militantes mais sinceros e "pé no chão" da esquerda revolucionária.

À época deste seminário, encontrava-se desfiliado de qualquer organização.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

UMA AUSÊNCIA SENTIDA - PSOL-SP pisou na bola



            NO DIA de ontem, 09/05/12, tive o prazer de tocar junto ao grupo musical que pertenço, o CANTO LIBRE, num ato na ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a Convenção Estadual de Solidariedade à Cuba.
            O ato consistia na fundação de uma Frente Parlamentar (encabeçada pelo Adriano Diogo, do PT de São Paulo) que englobará vários partidos.
            Fiquei feliz pela presença dos mais diversos partidos, cujas ideologias divergem em vários sentidos. Havia gente do PT, PSB, PCB, PCdoB, PCR, PC(ML) com um único propósito: defender a Revolução Cubana, aquela revolução que tanto fez por seu povo, que assegurou educação e saúde de primeira qualidade para os seus, e solidariedade para outros povos como na luta pela independência de Angola, na luta contra as ditaduras fascistas na América Latina, na construção do socialismo na Venezuela e auxílio médico ao sofrido povo haitiano.
            Não me surpreendeu a ausência dos agrupamentos trotskistas “clássicos”, que num erro teórico e prático que envergonharia o próprio Trotsky insistem em não defender o socialismo cubano. Contudo, surpreendeu-me a ausência do partido mais aclamado pela esquerda (ao menos em nível eleitoral) como uma alternativa à esquerda tradicional, que teria se perdido na luta; lá estava faltando o PSOL.
            Os camaradas do PSOL não podem, diante do genocídio promovido pelos EUA contra a Revolução e o povo cubano, ficarem omissos, como se não tivessem par nisso. Se o propósito do PSOL é uma sociedade socialista a defesa da Revolução Cubana deveria se dar sem pestanejar. Ainda assim, não enviaram sequer um representante.
            Que espécie de socialismo se pretende construir se se abdica do valor mais nobre que nós socialistas temos, a solidariedade? Como crer no PSOL como um partido capaz de conduzir as lutas num sentido socialista se ele ignora que ali vive um povo bravo que resiste firme e corajosamente contra a penetração capitalista estadunidense?
            Nutro pelo PSOL e por vários de seus militantes imenso respeito, principalmente por alguns quadros históricos da esquerda que ali estão, como Plínio de Arruda Sampaio, Milton Temer, o falecido Aziz Ab'Saber, dentre outros...
            Sei que o PSOL não se orienta pelo centralismo democrático. Mas mesmo que possua críticas ao modelo cubano – que não é nem se pretende ser o modelo pronto e acabado de socialismo , tem o dever de estar  ao lado do povo cubano.
           

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Europa realiza eleições "plebiscitárias" na França e na Grécia


    EM MEIO ao furacão da crise econômica, que sacode o Velho Mundo, Grécia e França votaram ontem para decidir seus respectivos futuros. Pode-se dizer que ambos os países votaram de forma plebiscitária entre aqueles que defendem a austeridade (que nada mais significa que corte de direitos sociais e segurança para a elite econômica) e aqueles que buscam um caminho mais racional e menos temerário para a resolução da crise capitalista.

 FRANÇA

       Após 17 anos o Partido Socialista Francês volta ao poder, conduzido pelo meu xará François Hollande. Apesar de ser uma vitória mais interessante do que a do Sarkozy, do ponto de vista da esquerda, devido às suas declarações anti-austeridade, vale lembrar que o Partido Socialista Francês é vinculado à Internacional Socialista, que há muito – já na I Grande Guerra, quando preferiu o nacionalismo burguês ao proletariado – definiu de que lado estava.
       Entretanto, Hollande surpreendeu ao falar grosso com o capital financeiro, quando falou em taxação de grandes fortunas. Resta saber se ele responderá aos anseios populares, uma vez que base para isto tem. Vale lembrar que muitos daqueles militantes que fizeram uma das mais bonitas manifestações já vistas, apoiando a candidatura da esquerda, de Melenchon, na Praça da Bastilha, votaram talvez mais contra o perigo que Sarkozy representava do que a favor de Hollande, que, de qualquer maneira recebe esses votos.
       Some-se a isso o apoio do centrista francês (e meu xará também) François Bayrou, que, de certa forma trouxe a possibilidade de um voto conservador em Hollande, bem como o posicionamento de Marine Le-Pen, que, contrariando todas as expectativas, declarou voto em branco, quando se esperava um apoio a Sarkozy. A mensagem dada por ela está bem clara. Ela está na briga pela liderança da direita francesa.
       O medo de queda nas Bolsas europeias, que se mostrou palpável pelos últimos acontecimentos, já o levou a um discurso conciliador no dia de hoje, remetendo muito à eleição de Lula em 2002, quando numa tacada de mestre o PT lançou a famigerada “Carta aos brasileiros”, em que afirmava seu compromisso com o Plano Real. Resta saber com que mão ele atuará, se com a mão esquerda (e tem base para isso), ou se com a mão direita, como os demais Partidos Socialistas fizeram nos últimos anos em Portugal, na Grécia e na Espanha.
       O que fica claro é que os franceses deram um NÃO categórico a austeridade e ao autoritarismo de Angela Merkel.

 GRÉCIA



      O caso grego, por sua vez é muito mais intrigante. Ao que parece, os eleitores gregos puniram os partidos tradicionais, comprometidos com o modelo econômico e o pacote de austeridade. Enquanto o conservador Nova Democracia perdeu 14% de seu eleitorado de 2009 para este ano, o PASOK perdeu 30% (!) de seu eleitorado, que lhe havia garantido 77% dos votos nas eleições de 2009, o que revela que aquela base que confiava no Partido Socialista como uma força capaz de garantir os direitos sociais migrou para a esquerda radical, esta sim que capitaneou as últimas lutas contra a Troika e os pacotes de austeridade.
     A origem deste bipartidarismo, que demonstra seus sinais de esgotamento, é bastante intrigante. Uma lei baixada pela Ditadura dos Coroneis, pouco antes de que estes deixassem o Poder, que garantia ao partido vencedor das eleições mais 50 deputados como bônus.

         Os resultados foram:

 DO BLOCO ANTI-AUSTERIDADE (DE ESQUERDA):
  SYRIZA (vinculado ao Partido de Esquerda Europeu), que reúne trotskistas, eurocomunistas, socialistas e ecologistas alcançou 17%, conquistando 52 cadeiras no Parlamento, alcançando um surpreendente segundo lugar;
  O KKE (Partido Comunista Grego), de orientação marxista-leninista, que teve um protagonismo crucial nas mobilizações de 2008 para cá, conseguiu 8% dos votos válidos, conquistando 26 cadeiras no Parlamento;
Apesar de ser uma expressiva votação, ainda não é o suficiente para barrar a ofensiva neoliberal que virá, porém, levando em conta os 35% de abstenção é possível verificar uma insatisfação com os partidos, o que poderá ser revertido em manifestações nas ruas, o que não seria de se estranhar dada a conjuntura grega dos últimos tempos.

 DO BLOCO DE CENTRO-ESQUERDA(?) – PRÓ-AUSTERIDADE
    O PASOK (Partido Socialista Pan-Helênico) alcançou 13% dos votos, o que lhe rendeu 41 lugares no parlamento;
    A DIMAR (Esquerda Democrática), de orientação social-democrata, alcançou 6% dos votos, o que lhe permite ocupar 19 lugares.

 DO BLOCO DA DIREITA – PRÓ-AUSTERIDADE
   O NOVA DEMOCRACIA vence, mas não leva, com 19% dos votos (apenas 2% a mais do que o segundo colocado, o SRIZA) o que lhe rende 108 lugares no Parlamento;
   OS GREGOS INDEPENDENTES, que já recusaram uma coalizão com o Nova Democracia, provavelmente demarcando uma disputa pela liderança da direita, alcançaram 11% dos votos, ou seja, 33 lugares no Parlamento;
  

      Os Verdes e o LAOS (de extrema-direita, que, a princípio integrou e depois rompeu com a Troika), não elegeram ninguém.

   

      O que é assustador é o crescimento dos neonazis, que chegaram a 7% (!) dos votos, que lhes permitirão ocupar 33 lugares no Parlamento, uma força assustadora.
      Vale ressaltar que muitas vezes, em momentos de crise, os votos direcionados para esses partidos, sejam da extrema-direita, sejam da extrema-esquerda, em geral são “votos flutuantes”, isto é, é mais um voto naquele que oferece uma solução imediata do que um voto ideológico, um voto emocional.
Líder do Partido Aurora Dourada (de orientação neonazista, evidente no símbolo "controverso")
      O discurso neonazi é o de punir os “usurários e traidores da pátria”, sem dar nome aos bois segue a velha tradição da extrema-direita, atirar para todos os lados visando agradar, a gregos e troianos (valendo a piadinha sem graça).
      Vê-se uma polarização da política na Grécia, que escancara a existência da luta de classes no século XXI, um princípio marxista que a direita, somada aos setores de uma suposta esquerda "democrática" tentou enterrar.
       O Nova Democracia encontra-se com uma bomba nas mãos. Os Gregos Independentes já se recusaram a compor uma coalizão. Provavelmente haverá uma aliança com o PASOK, o que seria o início de uma nova Era na Grécia, já que esses dois partidos polarizaram a vida política desde a queda do Regime dos Coroneis, sangrenta ditadura que caiu em 1974. Há ainda a possibilidade de uma união com o DIMAR, o que seria um caminho mais lógico, mas também inusitado.
    
"Os trabalhadores nada têm a perder, têm todo um mundo a ganhar".

      O que é alentador, todavia, é que a esquerda venceu nos maiores e mais populosos colégios eleitorais. Talvez estejamos assistindo ao começo da Primavera Europeia, uma vez que essa esquerda adormecida parece ter se levantado.

sábado, 7 de abril de 2012

Uma mensagem à toda a esquerda

Nunca fui um grande admirador do Roberto Requião, justamente porque nunca entendi como alguém que se diz de esquerda milita num partido como o PMDB. Neste discurso, no entanto, Requião chuta o balde e critica uma esquerda "acomodada", que, ao chegar ao poder, esquece de suas bandeiras.

Há a necessidade de rediscutir a esquerda, sem rancor, sem os erros do passado e a arrogância do presente.

Ou discutimos a esquerda, ou assistimos o reascenso do fascismo.