segunda-feira, 16 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Curtinha: São Paulo
O GUARDA CIVIL NÃO QUER A ROUPA NO QUARADOR!
O paulistano é uma espécie de mulher de malandro que parece que quanto mais apanha da sua cidade mais se apaixona por ela.
Semana retrasada (pois é, to deixando mesmo o blog de lado), o meu Timão foi campeão da Libertadores. Festa, rojões e muita alegria. Parecia um carnaval. As ruas se encheram de gente, enfim, gente!
Mas como essa é a cidade dos automóveis e "as pessoas da Paulista precisam dormir", logo a Polícia fez questão de reprimir com bombas de gás lacrimogêneo a comemoração do título por parte dos corinthianos.
Fiquei embasbacado como as pessoas são capazes de formular imensos xingamentos sem qualquer motivo, cegados pelo fanatismo futebolístico burro, falando dos "bandidos corinthianos", "maloqueiros", apenas reproduzindo o pensamento conservador que se apoderou da nossa cidade desde sempre e nunca mais se foi embora. Nenhuma linha sobre a atuação da PM - que já tinha feito algo semelhante na comemoração do Brasileirão 2011.
Parece que o Kassab (que, felizmente vai embora!) não quer uma cidade para gente.
Em São Paulo não pode "sopão" para pobre, não pode protestar nas ruas, não pode sequer comemorar um título desportivo.
Porém, com todo defeito te carrego no meu peito, como cantava Tom Zé.
O paulistano é uma espécie de mulher de malandro que parece que quanto mais apanha da sua cidade mais se apaixona por ela.
Semana retrasada (pois é, to deixando mesmo o blog de lado), o meu Timão foi campeão da Libertadores. Festa, rojões e muita alegria. Parecia um carnaval. As ruas se encheram de gente, enfim, gente!
Mas como essa é a cidade dos automóveis e "as pessoas da Paulista precisam dormir", logo a Polícia fez questão de reprimir com bombas de gás lacrimogêneo a comemoração do título por parte dos corinthianos.
Fiquei embasbacado como as pessoas são capazes de formular imensos xingamentos sem qualquer motivo, cegados pelo fanatismo futebolístico burro, falando dos "bandidos corinthianos", "maloqueiros", apenas reproduzindo o pensamento conservador que se apoderou da nossa cidade desde sempre e nunca mais se foi embora. Nenhuma linha sobre a atuação da PM - que já tinha feito algo semelhante na comemoração do Brasileirão 2011.
Parece que o Kassab (que, felizmente vai embora!) não quer uma cidade para gente.
Em São Paulo não pode "sopão" para pobre, não pode protestar nas ruas, não pode sequer comemorar um título desportivo.
Porém, com todo defeito te carrego no meu peito, como cantava Tom Zé.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Chavismo e populismo chavista: Dois mitos
Chavismo?
Um
fantasma ronda a América Latina, não é o do comunismo, ainda. Entretanto, após
a crise neoliberal da década de 1990 e de um refluxo da esquerda, em toda
América Latina governos de corte progressista ascenderam ao governo. Em 2007, Rafael Correa, presidente do
Equador afirmou com todas as letras que “estava chegando ao fim a triste noite
neoliberal na América Latina”.
Ao perceber
a radicalização do processo de mudanças na Venezuela, que, com todos os seus
defeitos, segue com enormes conquistas sociais, ao ponto de num estudo
realizado pela University of Columbia ser declarado o país mais feliz da
América do Sul, sendo que “na Venezuela, há um sentimento de bem-estar geral,
produto de uma política de distribuição equitativa da riqueza, implementada
pelo presidente Hugo Chávez, logo tratou-se de particularizar a situação.
Quando se pretende criticar a Revolução
Bolivariana, tanto da direita, como também a partir de setores que se pretendem
de esquerda e que caem na armadilha preparada pela direita, fala-se em
Chavismo. Mas o que é o chavismo?
Esses “ismos”, quando bem utilizados,
significam que há uma doutrina com um embasamento teórico, como personalismo,
socialismo, capitalismo etc.
No contexto do populismo na América Latina,
lá pelos anos de 1930, 1940, até sua crise no fim dos anos 60, podia-se falar
em “peronismo”, “varguismo” porque ambos formularam um pensamento e um
comportamento político sui generis,
que não existia, fortemente baseado no personalismo, impedindo a ascensão de
outros líderes e eliminando a discussão interna.
Hugo Chávez, entretanto, faz exatamente o
contrário. Baseia-se em Marx, Engels, Lenin, Trotsky e até mesmo em teóricos
menos explorados pela esquerda “ortodoxa”, como Kropotkin. Dessa forma, falar
em “chavismo” ou é desinformação ou é desonestidade da imprensa corporativista.
Conhecendo seu histórico, fico com a segunda opção. Além disso, o processo de
discussão interna na Venezuela existe, o PSUV é um partido plural com múltiplas
tendências, o Partido Comunista Venezuelano faz várias críticas e é respeitado
quando as faz.
Quando
Chávez renegou o “marxismo-leninismo” não renegou Marx, nem Lenin, senão aquela
ideologia dogmática que conduziu nos anos de 1960, 1970 a classe trabalhadora
ao fracasso, quando não à atitude passiva, pois baseava-se em teses universais
que desprezavam a realidade nacional de cada território, no caso do Brasil,
durante anos buscou-se uma aliança do proletariado com a burguesia nacional,
que mais tarde mostrou-se incapaz de caminhar com as próprias pernas,
aliando-se ao imperialismo e levando ao Golpe de 1964.
Populismo
“chavista”
Ao mesmo tempo em que fala em
chavismo, a mídia tradicional também acusa Chávez de populismo, desprezando o
contexto histórico atual e do populismo.
Quando o populismo surge, nos anos
1930, surge como uma ideologia burguesa modernizadora, ou seja, tratava-se de
um projeto capitalista, que visava desenvolver a economia nacional, a despeito
do interesse de antigas oligarquias, tendo como um de seus principais inimigos
o fortalecimento do ideal comunista em toda América Latina.
Assim, com políticas
corporativistas, sem qualquer liberdade sindical, os governantes populistas
implementaram algumas políticas de segurança social para melhorar em alguns
aspectos a qualidade de vida do trabalhador urbano, excluindo o trabalhador
rural, para diminuir a influência das lideranças comunistas.
Hoje, 80 anos depois, na Venezuela
não se trata de um processo de modernização do capitalismo. Hugo Chávez está
claramente ao lado do proletariado. A reforma agrária, a política salarial, a
nacionalização dos bancos caminham em direção socialista. Não é possível, a
partir dessa sociedade capitalista uma mudança brusca em direção ao socialismo
e depois ao comunismo. É necessário que se lancem as bases para que se possa
construir o socialismo, projeto de longo prazo.
Dessa forma, que se jogue fora o
anacronismo da imprensa burguesa e que comece a discussão por uma teoria da
transição.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
José Paulo Netto: Uma retrospectiva do movimento operário no Mundo e o "neoliberalismo"
Não há muito o que eu falar por aqui. Apenas que José Paulo Netto, atualmente no PCB, é um dos militantes mais sinceros e "pé no chão" da esquerda revolucionária.
À época deste seminário, encontrava-se desfiliado de qualquer organização.
À época deste seminário, encontrava-se desfiliado de qualquer organização.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
UMA AUSÊNCIA SENTIDA - PSOL-SP pisou na bola
NO DIA de ontem, 09/05/12, tive o prazer de tocar junto
ao grupo musical que pertenço, o CANTO LIBRE, num ato na ALESP (Assembleia
Legislativa do Estado de São Paulo, a Convenção Estadual de Solidariedade à Cuba.
O ato consistia na fundação de uma Frente Parlamentar
(encabeçada pelo Adriano Diogo, do PT de São Paulo) que englobará vários
partidos.
Fiquei feliz pela presença dos mais diversos partidos,
cujas ideologias divergem em vários sentidos. Havia gente do PT, PSB, PCB,
PCdoB, PCR, PC(ML) com um único propósito: defender a Revolução Cubana, aquela
revolução que tanto fez por seu povo, que assegurou educação e saúde de
primeira qualidade para os seus, e solidariedade para outros povos como na luta
pela independência de Angola, na luta contra as ditaduras fascistas na América
Latina, na construção do socialismo na Venezuela e auxílio médico ao sofrido povo
haitiano.
Não me surpreendeu a ausência dos agrupamentos
trotskistas “clássicos”, que num erro teórico e prático que envergonharia o
próprio Trotsky insistem em não defender o socialismo cubano. Contudo,
surpreendeu-me a ausência do partido mais aclamado pela esquerda (ao menos em
nível eleitoral) como uma alternativa à esquerda tradicional, que teria se
perdido na luta; lá estava faltando o PSOL.
Os camaradas do PSOL não podem, diante do genocídio
promovido pelos EUA contra a Revolução e o povo cubano, ficarem omissos, como
se não tivessem par nisso. Se o propósito do PSOL é uma sociedade socialista a
defesa da Revolução Cubana deveria se dar sem pestanejar. Ainda assim, não
enviaram sequer um representante.
Que espécie de socialismo se pretende construir se se
abdica do valor mais nobre que nós socialistas temos, a solidariedade? Como
crer no PSOL como um partido capaz de conduzir as lutas num sentido socialista
se ele ignora que ali vive um povo bravo que resiste firme e corajosamente
contra a penetração capitalista estadunidense?
Nutro pelo PSOL e por vários de seus militantes imenso respeito, principalmente por alguns quadros históricos da esquerda que ali estão, como Plínio de Arruda Sampaio, Milton Temer, o falecido Aziz Ab'Saber, dentre outros...
Sei que o PSOL não se orienta pelo centralismo democrático. Mas mesmo que possua críticas ao modelo cubano – que não é nem se pretende ser o modelo pronto e acabado de socialismo , tem o dever de estar ao lado do povo cubano.
Sei que o PSOL não se orienta pelo centralismo democrático. Mas mesmo que possua críticas ao modelo cubano – que não é nem se pretende ser o modelo pronto e acabado de socialismo , tem o dever de estar ao lado do povo cubano.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Europa realiza eleições "plebiscitárias" na França e na Grécia
EM MEIO ao furacão da crise econômica, que sacode o Velho Mundo, Grécia e França votaram ontem para decidir seus respectivos futuros. Pode-se dizer que ambos os países votaram de forma plebiscitária entre aqueles que defendem a austeridade (que nada mais significa que corte de direitos sociais e segurança para a elite econômica) e aqueles que buscam um caminho mais racional e menos temerário para a resolução da crise capitalista.
FRANÇA
Após 17 anos o Partido Socialista Francês volta ao poder, conduzido pelo meu xará François Hollande. Apesar de ser uma vitória mais interessante do que a do Sarkozy, do ponto de vista da esquerda, devido às suas declarações anti-austeridade, vale lembrar que o Partido Socialista Francês é vinculado à Internacional Socialista, que há muito – já na I Grande Guerra, quando preferiu o nacionalismo burguês ao proletariado – definiu de que lado estava.
Entretanto, Hollande surpreendeu ao falar grosso com o capital financeiro, quando falou em taxação de grandes fortunas. Resta saber se ele responderá aos anseios populares, uma vez que base para isto tem. Vale lembrar que muitos daqueles militantes que fizeram uma das mais bonitas manifestações já vistas, apoiando a candidatura da esquerda, de Melenchon, na Praça da Bastilha, votaram talvez mais contra o perigo que Sarkozy representava do que a favor de Hollande, que, de qualquer maneira recebe esses votos.
Some-se a isso o apoio do centrista francês (e meu xará também) François Bayrou, que, de certa forma trouxe a possibilidade de um voto conservador em Hollande, bem como o posicionamento de Marine Le-Pen, que, contrariando todas as expectativas, declarou voto em branco, quando se esperava um apoio a Sarkozy. A mensagem dada por ela está bem clara. Ela está na briga pela liderança da direita francesa.
O medo de queda nas Bolsas europeias, que se mostrou palpável pelos últimos acontecimentos, já o levou a um discurso conciliador no dia de hoje, remetendo muito à eleição de Lula em 2002, quando numa tacada de mestre o PT lançou a famigerada “Carta aos brasileiros”, em que afirmava seu compromisso com o Plano Real. Resta saber com que mão ele atuará, se com a mão esquerda (e tem base para isso), ou se com a mão direita, como os demais Partidos Socialistas fizeram nos últimos anos em Portugal, na Grécia e na Espanha.
O que fica claro é que os franceses deram um NÃO categórico a austeridade e ao autoritarismo de Angela Merkel.
GRÉCIA
O caso grego, por sua vez é muito mais intrigante. Ao que parece, os eleitores gregos puniram os partidos tradicionais, comprometidos com o modelo econômico e o pacote de austeridade. Enquanto o conservador Nova Democracia perdeu 14% de seu eleitorado de 2009 para este ano, o PASOK perdeu 30% (!) de seu eleitorado, que lhe havia garantido 77% dos votos nas eleições de 2009, o que revela que aquela base que confiava no Partido Socialista como uma força capaz de garantir os direitos sociais migrou para a esquerda radical, esta sim que capitaneou as últimas lutas contra a Troika e os pacotes de austeridade.
A origem deste bipartidarismo, que demonstra seus sinais de esgotamento, é bastante intrigante. Uma lei baixada pela Ditadura dos Coroneis, pouco antes de que estes deixassem o Poder, que garantia ao partido vencedor das eleições mais 50 deputados como bônus.
Os resultados foram:
DO BLOCO ANTI-AUSTERIDADE (DE ESQUERDA):
SYRIZA (vinculado ao Partido de Esquerda Europeu), que reúne trotskistas, eurocomunistas, socialistas e ecologistas alcançou 17%, conquistando 52 cadeiras no Parlamento, alcançando um surpreendente segundo lugar;
O KKE (Partido Comunista Grego), de orientação marxista-leninista, que teve um protagonismo crucial nas mobilizações de 2008 para cá, conseguiu 8% dos votos válidos, conquistando 26 cadeiras no Parlamento;
Apesar de ser uma expressiva votação, ainda não é o suficiente para barrar a ofensiva neoliberal que virá, porém, levando em conta os 35% de abstenção é possível verificar uma insatisfação com os partidos, o que poderá ser revertido em manifestações nas ruas, o que não seria de se estranhar dada a conjuntura grega dos últimos tempos.
DO BLOCO DE CENTRO-ESQUERDA(?) – PRÓ-AUSTERIDADE
O PASOK (Partido Socialista Pan-Helênico) alcançou 13% dos votos, o que lhe rendeu 41 lugares no parlamento;
A DIMAR (Esquerda Democrática), de orientação social-democrata, alcançou 6% dos votos, o que lhe permite ocupar 19 lugares.
DO BLOCO DA DIREITA – PRÓ-AUSTERIDADE
O NOVA DEMOCRACIA vence, mas não leva, com 19% dos votos (apenas 2% a mais do que o segundo colocado, o SRIZA) o que lhe rende 108 lugares no Parlamento;
OS GREGOS INDEPENDENTES, que já recusaram uma coalizão com o Nova Democracia, provavelmente demarcando uma disputa pela liderança da direita, alcançaram 11% dos votos, ou seja, 33 lugares no Parlamento;
Os Verdes e o LAOS (de extrema-direita, que, a princípio integrou e depois rompeu com a Troika), não elegeram ninguém.
O que é assustador é o crescimento dos neonazis, que chegaram a 7% (!) dos votos, que lhes permitirão ocupar 33 lugares no Parlamento, uma força assustadora.
Vale ressaltar que muitas vezes, em momentos de crise, os votos direcionados para esses partidos, sejam da extrema-direita, sejam da extrema-esquerda, em geral são “votos flutuantes”, isto é, é mais um voto naquele que oferece uma solução imediata do que um voto ideológico, um voto emocional.
![]() |
| Líder do Partido Aurora Dourada (de orientação neonazista, evidente no símbolo "controverso") |
Vê-se uma polarização da política na Grécia, que escancara a existência da luta de classes no século XXI, um princípio marxista que a direita, somada aos setores de uma suposta esquerda "democrática" tentou enterrar.
O Nova Democracia encontra-se com uma bomba nas mãos. Os Gregos Independentes já se recusaram a compor uma coalizão. Provavelmente haverá uma aliança com o PASOK, o que seria o início de uma nova Era na Grécia, já que esses dois partidos polarizaram a vida política desde a queda do Regime dos Coroneis, sangrenta ditadura que caiu em 1974. Há ainda a possibilidade de uma união com o DIMAR, o que seria um caminho mais lógico, mas também inusitado.
![]() |
| "Os trabalhadores nada têm a perder, têm todo um mundo a ganhar". |
O que é alentador, todavia, é que a esquerda venceu nos maiores e mais populosos colégios eleitorais. Talvez estejamos assistindo ao começo da Primavera Europeia, uma vez que essa esquerda adormecida parece ter se levantado.
sábado, 7 de abril de 2012
Uma mensagem à toda a esquerda
Nunca fui um grande admirador do Roberto Requião, justamente porque nunca entendi como alguém que se diz de esquerda milita num partido como o PMDB. Neste discurso, no entanto, Requião chuta o balde e critica uma esquerda "acomodada", que, ao chegar ao poder, esquece de suas bandeiras.
Há a necessidade de rediscutir a esquerda, sem rancor, sem os erros do passado e a arrogância do presente.
Ou discutimos a esquerda, ou assistimos o reascenso do fascismo.
Há a necessidade de rediscutir a esquerda, sem rancor, sem os erros do passado e a arrogância do presente.
Ou discutimos a esquerda, ou assistimos o reascenso do fascismo.
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