quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Leitura altamente recomendada: O Lugar do Marxismo na História, de Ernest Mandel (1986)

          Li este livrinho no primeiro semestre desse ano e foi realmente muito esclarecedor. O economista belga Ernest Mandel faz uma interessante análise do marxismo, mostrando-o como produto de todo um desenvolvimento histórico que culminou com a síntese dessa teoria. Passando pela economia política inglesa, pela sociologia francesa e pela filosofia alemã, mostra como Marx superou (no sentido hegeliano do termo - superação com conservação) os pensadores dessas vertentes, fazendo com que possamos a partir da teoria marxista compreender a realidade para transformá-la.

Quem se interessar pela aquisição... : https://www.expressaopopular.com.br/livros/xama/lugar-do-marxismo-na-historia-o

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aos professores



Neste dia especial quero expressar o meu respeito e o meu carinho por um segmento que julgo ser da maior importância para a construção do futuro, os professores.

Mesmo os mais carrascos que passaram pela minha vida acabaram me ensinando algo, ainda que involuntariamente.

Espero que o futuro dos professores seja de menos precarização, salários mais dignos e melhores condições de trabalho.

No dia dos professores: 1 milhão de crianças fora da escola no Brasil, por Frei Betto

 
 
Por Frei Betto, no sítio da Adital:

O dado, divulgados pelo IBGE em fins de julho, são alarmantes: 3% do total de crianças brasileiras de 6 a 14 anos se encontram fora da escola, o que representa quase 1 milhão de excluídos dos bancos escolares.

Se incluirmos o contingente de 4 e 5 anos e de 15 a 17, o percentual aumenta para 8%, ou seja, 3,8 milhões de crianças e adolescentes.

O Amazonas é o estado que apresenta maior número de crianças de 6 a 14 anos fora da escola – 8,8%. Ali, as distâncias e as dificuldades de transporte pesam no índice. Já Santa Catarina aparece na pesquisa como o estado onde há maior inclusão escolar. Apenas 2,2% daquela faixa etária estão fora da escola.

Nenhum estado do país conseguiu, até hoje, incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. A pesquisa do IBGE revela ainda que, dessas crianças desescolarizadas, 62% já frequentaram a escola por algum tempo, mas abandonaram os estudos.

As razões da evasão escolar precoce são muitas. As mais frequentes, porém, são a falta de interesse (falha pedagógica dos educadores), repetência, gravidez precoce e o imperativo de ingressar no mercado de trabalho para ajudar a família.

A desescolaridade provoca na criança e no adolescente baixa autoestima, tornando-os vulneráveis a propostas ilusórias de enriquecimento e consumismo fáceis através do tráfico de drogas e outras práticas criminosas.

O programa "Todos pela educação”, do qual participo, estabelece 5 metas até 2022, data do bicentenário da independência do Brasil: 1) 98% das crianças e jovens entre 4 e 17 anos devem estar matriculados e frequentando a escola; 2) 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2a série ou 3o ano do ensino fundamental; 3) 70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é essencial para a série que cursam; 4) 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos deverão ter completado o ensino fundamental e 90% ou mais de 19 anos deverão ter completado o ensino médio; 5) O investimento público em educação básica deverá ser de 5% ou mais do PIB.

São metas elementares e, no entanto, essenciais para qualificar as gerações futuras e permitir ao nosso país acesso ao desenvolvimento sustentável com justiça social.

Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), no mundo 215 milhões de meninos e meninas trabalham para sobreviver ou complementar a renda de suas famílias. Dessas crianças, metade está exposta a condições degradantes de trabalho, como escravidão, servidão por dívidas, exploração sexual com fins comerciais e atuação em conflitos armados.

O governo brasileiro já desenvolve intensa campanha contra a exploração sexual de crianças e o trabalho infantil. No entanto, é preciso aprimorar o combate a toda forma de violência contra crianças, em especial no âmbito familiar. Há que considerar também como violência à infância a extrema pobreza e determinados conteúdos do ciberespaço, pelo qual atuam os pedófilos e disseminadores de pornografia.
Postado em 10/10/2012 ás 09:39

domingo, 14 de outubro de 2012

Começando a semana com Vandré

Pra começar a semana, "olho a vida sempre em frente"

Versos lindos, com a simplicidade e o amor naturais de um poeta do povo.

"Quando eu penso em tantas vidas, que de seu tão nada tem".



terça-feira, 9 de outubro de 2012

O menor da Balança - Por que Haddad?





                Estava previsto aqui que eu fizesse primeiramente uma análise do resultado das eleições em todo o Brasil e depois escrevesse sobre o segundo turno em São Paulo.
                Entretanto, a situação política faz com que eu seja obrigado a colocar o carro na frente dos bois e falar sobre o que significa o segundo turno em São Paulo e o que fazer diante da atual situação.
                Uma reviravolta impressionante deixou de queixo caído a imensa maioria que estava acompanhando as eleições em São Paulo. Salvo a opinião de um ou outro especialista (ver em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/66178-igrejas-nao-tem-votos-para-garantir-a-vitoria-mas-ameacam-os-candidatos.shtml) era dada como certa a vitória de Russomano (PRB), no primeiro turno, o que significaria a continuidade do atual projeto de Kassab (PSD), com uma boa dosagem de populismo sui generis aqui e agora.
                Quem apostava no desgaste da polarização entre PT e PSDB, que se deu também em quase todo Brasil, enganou-se rotundamente. E São Paulo enveredou-se por esse caminho.
Serra e Haddad: Diferença ou mais do mesmo?
                O início da candidatura de Haddad foi como aquele zagueiro que depois de marcar um gol de bicicleta numa final, cabeceia a bola pra trás e faz um gol contra. Os votos que Haddad ganhou colocando nossa grande Luiza Erundina (PSB) como vice, perdeu apertando a mão de Maluf (PP), o símbolo da direita e da corrupção, que num claro deboche disse que perto de Lula e do PT se sente “comunista”. Diante disso o PT e Haddad calam, e isso é preocupante.
                Luiza Erundina, porém, disse que não abandonaria a campanha de Haddad, porque não sairia do campo democrático-popular e socialista, ao qual sempre pertenceu.
                Dessa forma, o PT mantém em São Paulo sua coerência com a base aliada. Os partidos tradicionais da esquerda com uma parcela da direita, à qual faz concessões em excesso, abandonando o discurso de outrora, mais combativo e ideológico.
                Sobre Serra nenhuma novidade. Aliado com a direita tradicional, o DEM e o fisiologismo puro do PSD e do PR, com seu discurso moralista de sempre, para a “massa cheirosa”, para usar um termo da tucaninha travestida de imparcial Eliane Catanhede.
A situação atual de São Paulo
                O projeto privatizador foi avassalador para São Paulo. Na gestão Serra-Kassab, pois a gestão Kassab nada mais é do que a continuação da de Serra, proibiu-se o artista de rua, o vendedor ambulante, até os gritos nas feiras. Não se tolera a divergência, não se pode nem realizar manifestação na Paulista e muito menos comemorar título desportivo em via pública (pra quem duvida http://www.viomundo.com.br/denuncias/antropologo-da-usp-e-espancado-por-pm-na-avenida-paulista.html).
                Das 31 suprefeituras que existem em São Paulo, 30 estão nas mãos de coronéis da PM. Na cidade com um trânsito desumano, que faz com que o trabalhador demore 2, 3 horas pra chegar em casa até mesmo a CET (Companhia de Engenharia do Tráfico) está nas mãos de ex-coronéis da PM.
                Em 2014, a Copa do Mundo também trará muitos danos à cidade. Do lado do Estádio do Corinthians várias favelas serão removidas para que seja implementado de um parque tecnológico. A população, porém, não teve acesso ao plano de habitação realizado pela prefeitura, que apresentou o projeto apenas para a maçonaria, o Rotary Clube e a elite financeira. Está prevista a remoção de 4.000 famílias pelo menos
Não que seja essa uma grande exceção. Como em todas as metrópoles o neoliberalismo também afetou a maneira de se pensar a cidade em São Paulo. Várias famílias estão sendo removidas, a despeito do fato de que a urbanização das favelas custa mais barato, isso quando as favelas não são incendiadas. Some-se a isto o fato de que a CPI dos Incêndios está atrelada ao governo Kassab e a conclusão se torna óbvia. (Mais informações em: http://raquelrolnik.wordpress.com/).
Pra que lado pende a balança?
O que devemos, então, levar em conta na hora de pensar no que fazer?
Primeiramente, o Plano de Governo de Haddad está registrado na íntegra no TSE e foi feito por intelectuais do calibre de Ricardo Musse, sociólogo da USP e grande marxista, enquanto que o de Serra (PSDB) se reduz a uma meia-dúzia de páginas com algumas intenções. Seriam os planos de Serra tão assustadores, assim, que ele não pode sequer mostrá-los para a população? Felizmente o conhecemos de longa data.
Além disso, sempre achei que para conhecer um candidato nada melhor do que saber quem está com ele.
Serra traz consigo o assustador surto de conservadorismo da classe média paulistana, além das viúvas de 1964, Coronel Telhada (ex-comandante da ROTA), enfim, o que tem de pior e só. Se por um lado Haddad traz Maluf e o PP, traz consigo também Marilena Chauí, Zé Celso Martinez, Luiza Erundina, Bernardo Ricúpero, Raquel Rolnik, Gabriel Cohn, José Miguel Wisnik, Jorge Grespan. Enfim, uma longa lista de intelectuais e grandes figuras da esquerda.
O que faz a diferença é que Serra é apoiado por quem sustentou esse projeto excludente nos últimos anos e só. Haddad traz consigo a sensibilidade e o rigor analítico e prático da esquerda, que vai além do senso comum que está por trás da candidatura de Serra e constitui uma séria ameaça para a democracia.
A esquerda precisa ser responsável. Votar nulo é ajudar o proto-fascismo a continuar agindo impunemente por aí, é se omitir perante a uma figura que conhecemos muito bem.
Não tenho quaisquer ilusões em relação a um eventual governo de Haddad. Sei que não será uma gestão socialista, muito menos a repetição da brilhante experiência que tivemos com Luíza Erundina em 1988, mas será, sem sombra de dúvidas, muito menos nefasta do que a continuidade do caos em São Paulo.
Por isso, não podemos ser inconsequentes e nem achar que o “menos pior” é mais do mesmo. Temos a obrigação de barrar o fascismo.
NO SEGUNDO TURNO, VOTAR 13 E ELEGER HADDAD.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eleições na Venezuela: Outro passo adiante!




                Abrem-se as urnas e confirma-se o triunfo popular de Hugo Chávez Frías. Triunfa a candidatura da revolução bolivariana, que continuará levando adiante seu projeto transformador.
                Em 2005, a Venezuela foi declarada pela UNESCO como território livre do analfabetismo, de 1998 a 2006 a pobreza extrema baixou 50% e a pobreza geral 32%, a Mision Barrio Adentro levou a saúde pública com qualidade para milhares de venezuelanos pobres, que não tinham acesso a esse direito inalienável, uma bela parceria com Cuba, que enviou vários profissionais para ajudar a iniciativa.
                Também se fortaleceu a democracia. 16 eleições de 1998 pra cá, uma Constituição aprovada pelo voto popular (FATO INÉDITO NA HISTÓRIA), que permitiu a refundação da República Bolivariana da Venezuela e uma garantia de maior democratização, da cidadania, bem como igualdade de gênero, uma taxa baixíssima de desemprego, um salário mínimo que é o mais alto da América Latina, redução da desnutrição. Enfim, coisas do “idiota latino-americano” de esquerda. (Ver em http://venezuela-us.org/es/wp-content/uploads/2009/05/Fact-Sheet-13-in-13-ESP.pdf)
                Aliás, as Misiones são tão importantes e tão bem-sucedidas que Capriles prometeu a continuidade delas caso fosse eleito, numa tentativa desesperada de conseguir votos.
                A imprensa venezuelana também quis pintar a imagem de que Capriles era o Lula Venezuelano, mesmo quando o próprio Lula declarou apoio a Chávez.
                A vitória de Capriles Radonski, que apoiou o golpe fascista de Abril de 2002, repudiado pelo povo – como mostra o documentário “La revolución no será televisada”, significaria um retrocesso sem tamanho para a esquerda latino-americana e traria sérios riscos para a continuidade da democracia na Venezuela.
                A ofensiva neoliberal dos anos 1990 foi anunciada como a última pá de cal a ser jogada em cima do campo democrático-popular, em cima do socialismo. O “idiota latino-americano” estava morto. Várias crises depois, o verdadeiro idiota pode ser facilmente identificado como aquele que aceitou as receitas maravilhosas do Consenso de Washington.
                A Venezuela é socialista? Não. A Revolução Política em curso pode evoluir para uma Revolução Social? Acredito veementemente que sim! A população está conscientizada e mobilizada como já demonstrou em diversas ocasiões.
                A derrota do “bom moço” Henrique Capriles significa um não à volta ao passado, à perda de direitos sociais, que são um passo muito importante  se nossa meta é a superação do capitalismo.
                Nesse 08/10/12, não há melhor forma de lembrar Che Guevara do que festejando a opção do povo venezuelano pela continuidade da Revolução Bolivariana, no caminho do socialismo. Como escreveu Che numa dedicatória a Allende: “A Salvador Allende, que por distintos métodos, trata de obtendrer lo mismo”. Acho que essa mensagem pode ser facilmente levada a Hugo Chávez, que é sem dúvida um ícone importantíssimo da esquerda mundial.

Che Guevara vive!

A 45 anos de sua morte, minha singela homenagem al Comandante!