Li este livrinho no primeiro semestre desse ano e foi realmente muito esclarecedor. O economista belga Ernest Mandel faz uma interessante análise do marxismo, mostrando-o como produto de todo um desenvolvimento histórico que culminou com a síntese dessa teoria. Passando pela economia política inglesa, pela sociologia francesa e pela filosofia alemã, mostra como Marx superou (no sentido hegeliano do termo - superação com conservação) os pensadores dessas vertentes, fazendo com que possamos a partir da teoria marxista compreender a realidade para transformá-la.
Quem se interessar pela aquisição... : https://www.expressaopopular.com.br/livros/xama/lugar-do-marxismo-na-historia-o
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Aos professores
Neste dia especial quero expressar o meu respeito e o meu carinho por um segmento que julgo ser da maior importância para a construção do futuro, os professores.
Mesmo os mais carrascos que passaram pela minha vida acabaram me ensinando algo, ainda que involuntariamente.
Espero que o futuro dos professores seja de menos precarização, salários mais dignos e melhores condições de trabalho.
No dia dos professores: 1 milhão de crianças fora da escola no Brasil, por Frei Betto
Por Frei Betto, no sítio da Adital:
O dado, divulgados pelo IBGE em fins de julho, são alarmantes: 3% do total de crianças brasileiras de 6 a 14 anos se encontram fora da escola, o que representa quase 1 milhão de excluídos dos bancos escolares. Se incluirmos o contingente de 4 e 5 anos e de 15 a 17, o percentual aumenta para 8%, ou seja, 3,8 milhões de crianças e adolescentes. O Amazonas é o estado que apresenta maior número de crianças de 6 a 14 anos fora da escola – 8,8%. Ali, as distâncias e as dificuldades de transporte pesam no índice. Já Santa Catarina aparece na pesquisa como o estado onde há maior inclusão escolar. Apenas 2,2% daquela faixa etária estão fora da escola. Nenhum estado do país conseguiu, até hoje, incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. A pesquisa do IBGE revela ainda que, dessas crianças desescolarizadas, 62% já frequentaram a escola por algum tempo, mas abandonaram os estudos. As razões da evasão escolar precoce são muitas. As mais frequentes, porém, são a falta de interesse (falha pedagógica dos educadores), repetência, gravidez precoce e o imperativo de ingressar no mercado de trabalho para ajudar a família. A desescolaridade provoca na criança e no adolescente baixa autoestima, tornando-os vulneráveis a propostas ilusórias de enriquecimento e consumismo fáceis através do tráfico de drogas e outras práticas criminosas. O programa "Todos pela educação”, do qual participo, estabelece 5 metas até 2022, data do bicentenário da independência do Brasil: 1) 98% das crianças e jovens entre 4 e 17 anos devem estar matriculados e frequentando a escola; 2) 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2a série ou 3o ano do ensino fundamental; 3) 70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é essencial para a série que cursam; 4) 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos deverão ter completado o ensino fundamental e 90% ou mais de 19 anos deverão ter completado o ensino médio; 5) O investimento público em educação básica deverá ser de 5% ou mais do PIB. São metas elementares e, no entanto, essenciais para qualificar as gerações futuras e permitir ao nosso país acesso ao desenvolvimento sustentável com justiça social. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), no mundo 215 milhões de meninos e meninas trabalham para sobreviver ou complementar a renda de suas famílias. Dessas crianças, metade está exposta a condições degradantes de trabalho, como escravidão, servidão por dívidas, exploração sexual com fins comerciais e atuação em conflitos armados. O governo brasileiro já desenvolve intensa campanha contra a exploração sexual de crianças e o trabalho infantil. No entanto, é preciso aprimorar o combate a toda forma de violência contra crianças, em especial no âmbito familiar. Há que considerar também como violência à infância a extrema pobreza e determinados conteúdos do ciberespaço, pelo qual atuam os pedófilos e disseminadores de pornografia.
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domingo, 14 de outubro de 2012
Começando a semana com Vandré
Pra começar a semana, "olho a vida sempre em frente"
Versos lindos, com a simplicidade e o amor naturais de um poeta do povo.
"Quando eu penso em tantas vidas, que de seu tão nada tem".
Versos lindos, com a simplicidade e o amor naturais de um poeta do povo.
"Quando eu penso em tantas vidas, que de seu tão nada tem".
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O menor da Balança - Por que Haddad?
Estava previsto aqui que eu fizesse
primeiramente uma análise do resultado das eleições em todo o Brasil e depois
escrevesse sobre o segundo turno em São Paulo.
Entretanto,
a situação política faz com que eu seja obrigado a colocar o carro na frente
dos bois e falar sobre o que significa o segundo turno em São Paulo e o que
fazer diante da atual situação.
Uma
reviravolta impressionante deixou de queixo caído a imensa maioria que estava
acompanhando as eleições em São Paulo. Salvo a opinião de um ou outro
especialista (ver em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/66178-igrejas-nao-tem-votos-para-garantir-a-vitoria-mas-ameacam-os-candidatos.shtml)
era dada como certa a vitória de Russomano (PRB), no primeiro turno, o que
significaria a continuidade do atual projeto de Kassab (PSD), com uma boa
dosagem de populismo sui generis aqui
e agora.
Quem
apostava no desgaste da polarização entre PT e PSDB, que se deu também em quase
todo Brasil, enganou-se rotundamente. E São Paulo enveredou-se por esse
caminho.
Serra e Haddad: Diferença ou mais do mesmo?
O
início da candidatura de Haddad foi como aquele zagueiro que depois de marcar
um gol de bicicleta numa final, cabeceia a bola pra trás e faz um gol contra.
Os votos que Haddad ganhou colocando nossa grande Luiza Erundina (PSB) como
vice, perdeu apertando a mão de Maluf (PP), o símbolo da direita e da
corrupção, que num claro deboche disse que perto de Lula e do PT se sente “comunista”.
Diante disso o PT e Haddad calam, e isso é preocupante.
Luiza
Erundina, porém, disse que não abandonaria a campanha de Haddad, porque não sairia
do campo democrático-popular e socialista, ao qual sempre pertenceu.
Dessa
forma, o PT mantém em São Paulo sua coerência com a base aliada. Os partidos
tradicionais da esquerda com uma parcela da direita, à qual faz concessões em
excesso, abandonando o discurso de outrora, mais combativo e ideológico.
Sobre
Serra nenhuma novidade. Aliado com a direita tradicional, o DEM e o
fisiologismo puro do PSD e do PR, com seu discurso moralista de sempre, para a “massa
cheirosa”, para usar um termo da tucaninha travestida de imparcial Eliane
Catanhede.
A situação atual de São Paulo
O projeto privatizador foi avassalador para
São Paulo. Na gestão Serra-Kassab, pois a gestão Kassab nada mais é do que a
continuação da de Serra, proibiu-se o artista de rua, o vendedor ambulante, até
os gritos nas feiras. Não se tolera a divergência, não se pode nem realizar manifestação
na Paulista e muito menos comemorar título desportivo em via pública (pra quem
duvida http://www.viomundo.com.br/denuncias/antropologo-da-usp-e-espancado-por-pm-na-avenida-paulista.html).
Das
31 suprefeituras que existem em São Paulo, 30 estão nas mãos de coronéis da PM.
Na cidade com um trânsito desumano, que faz com que o trabalhador demore 2, 3
horas pra chegar em casa até mesmo a CET (Companhia de Engenharia do Tráfico)
está nas mãos de ex-coronéis da PM.
Em
2014, a Copa do Mundo também trará muitos danos à cidade. Do lado do Estádio do
Corinthians várias favelas serão removidas para que seja implementado de um
parque tecnológico. A população, porém, não teve acesso ao plano de habitação
realizado pela prefeitura, que apresentou o projeto apenas para a maçonaria, o Rotary
Clube e a elite financeira. Está prevista a remoção de 4.000 famílias pelo
menos
Não que seja
essa uma grande exceção. Como em todas as metrópoles o neoliberalismo também
afetou a maneira de se pensar a cidade em São Paulo. Várias famílias estão
sendo removidas, a despeito do fato de que a urbanização das favelas custa mais
barato, isso quando as favelas não são incendiadas. Some-se a isto o fato de
que a CPI dos Incêndios está atrelada ao governo Kassab e a conclusão se torna
óbvia. (Mais informações em: http://raquelrolnik.wordpress.com/).
Pra que lado pende a balança?
O que
devemos, então, levar em conta na hora de pensar no que fazer?
Primeiramente,
o Plano de Governo de Haddad está registrado na íntegra no TSE e foi feito por
intelectuais do calibre de Ricardo Musse, sociólogo da USP e grande marxista,
enquanto que o de Serra (PSDB) se reduz a uma meia-dúzia de páginas com algumas
intenções. Seriam os planos de Serra tão assustadores, assim, que ele não pode
sequer mostrá-los para a população? Felizmente o conhecemos de longa data.
Além disso,
sempre achei que para conhecer um candidato nada melhor do que saber quem está
com ele.
Serra traz
consigo o assustador surto de conservadorismo da classe média paulistana, além
das viúvas de 1964, Coronel Telhada (ex-comandante da ROTA), enfim, o que tem
de pior e só. Se por um lado Haddad traz Maluf e o PP, traz consigo também
Marilena Chauí, Zé Celso Martinez, Luiza Erundina, Bernardo Ricúpero, Raquel Rolnik,
Gabriel Cohn, José Miguel Wisnik, Jorge Grespan. Enfim, uma longa lista de
intelectuais e grandes figuras da esquerda.
O que faz a
diferença é que Serra é apoiado por quem sustentou esse projeto excludente nos
últimos anos e só. Haddad traz consigo a sensibilidade e o rigor analítico e
prático da esquerda, que vai além do senso comum que está por trás da
candidatura de Serra e constitui uma séria ameaça para a democracia.
A esquerda precisa ser responsável. Votar nulo é
ajudar o proto-fascismo a continuar
agindo impunemente por aí, é se omitir perante a uma figura que conhecemos
muito bem.
Não tenho quaisquer
ilusões em relação a um eventual governo de Haddad. Sei que não será uma gestão
socialista, muito menos a repetição da brilhante experiência que tivemos com Luíza
Erundina em 1988, mas será, sem sombra de dúvidas, muito menos nefasta do que a
continuidade do caos em São Paulo.
Por isso,
não podemos ser inconsequentes e nem achar que o “menos pior” é mais do mesmo.
Temos a obrigação de barrar o fascismo.
NO SEGUNDO
TURNO, VOTAR 13 E ELEGER HADDAD.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Eleições na Venezuela: Outro passo adiante!
Abrem-se
as urnas e confirma-se o triunfo popular de Hugo Chávez Frías. Triunfa a
candidatura da revolução bolivariana, que continuará levando adiante seu
projeto transformador.
Em
2005, a Venezuela foi declarada pela UNESCO como território livre do
analfabetismo, de 1998 a 2006 a pobreza extrema baixou 50% e a pobreza geral
32%, a Mision Barrio Adentro levou a saúde pública com qualidade para milhares
de venezuelanos pobres, que não tinham acesso a esse direito inalienável, uma
bela parceria com Cuba, que enviou vários profissionais para ajudar a
iniciativa.
Também
se fortaleceu a democracia. 16 eleições de 1998 pra cá, uma Constituição
aprovada pelo voto popular (FATO INÉDITO NA HISTÓRIA), que permitiu a
refundação da República Bolivariana da Venezuela e uma garantia de maior
democratização, da cidadania, bem como igualdade de gênero, uma taxa baixíssima
de desemprego, um salário mínimo que é o mais alto da América Latina, redução
da desnutrição. Enfim, coisas do “idiota latino-americano” de esquerda. (Ver em
http://venezuela-us.org/es/wp-content/uploads/2009/05/Fact-Sheet-13-in-13-ESP.pdf)
Aliás,
as Misiones são tão importantes e tão bem-sucedidas que Capriles prometeu a
continuidade delas caso fosse eleito, numa tentativa desesperada de conseguir
votos.
A
imprensa venezuelana também quis pintar a imagem de que Capriles era o Lula
Venezuelano, mesmo quando o próprio Lula declarou apoio a Chávez.
A
vitória de Capriles Radonski, que apoiou o golpe fascista de Abril de 2002,
repudiado pelo povo – como mostra o documentário “La revolución no será
televisada”, significaria um retrocesso sem tamanho para a esquerda
latino-americana e traria sérios riscos para a continuidade da democracia na
Venezuela.
A
ofensiva neoliberal dos anos 1990 foi anunciada como a última pá de cal a ser
jogada em cima do campo democrático-popular, em cima do socialismo. O “idiota
latino-americano” estava morto. Várias crises depois, o verdadeiro idiota pode
ser facilmente identificado como aquele que aceitou as receitas maravilhosas do
Consenso de Washington.
A
Venezuela é socialista? Não. A Revolução Política em curso pode evoluir para
uma Revolução Social? Acredito veementemente que sim! A população está
conscientizada e mobilizada como já demonstrou em diversas ocasiões.
A
derrota do “bom moço” Henrique Capriles significa um não à volta ao passado, à
perda de direitos sociais, que são um passo muito importante se nossa meta é a superação do capitalismo.
Nesse
08/10/12, não há melhor forma de lembrar Che Guevara do que festejando a opção
do povo venezuelano pela continuidade da Revolução Bolivariana, no caminho do
socialismo. Como escreveu Che numa dedicatória a Allende: “A Salvador Allende,
que por distintos métodos, trata de obtendrer lo mismo”. Acho que essa mensagem
pode ser facilmente levada a Hugo Chávez, que é sem dúvida um ícone
importantíssimo da esquerda mundial.
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