terça-feira, 9 de outubro de 2012

O menor da Balança - Por que Haddad?





                Estava previsto aqui que eu fizesse primeiramente uma análise do resultado das eleições em todo o Brasil e depois escrevesse sobre o segundo turno em São Paulo.
                Entretanto, a situação política faz com que eu seja obrigado a colocar o carro na frente dos bois e falar sobre o que significa o segundo turno em São Paulo e o que fazer diante da atual situação.
                Uma reviravolta impressionante deixou de queixo caído a imensa maioria que estava acompanhando as eleições em São Paulo. Salvo a opinião de um ou outro especialista (ver em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/66178-igrejas-nao-tem-votos-para-garantir-a-vitoria-mas-ameacam-os-candidatos.shtml) era dada como certa a vitória de Russomano (PRB), no primeiro turno, o que significaria a continuidade do atual projeto de Kassab (PSD), com uma boa dosagem de populismo sui generis aqui e agora.
                Quem apostava no desgaste da polarização entre PT e PSDB, que se deu também em quase todo Brasil, enganou-se rotundamente. E São Paulo enveredou-se por esse caminho.
Serra e Haddad: Diferença ou mais do mesmo?
                O início da candidatura de Haddad foi como aquele zagueiro que depois de marcar um gol de bicicleta numa final, cabeceia a bola pra trás e faz um gol contra. Os votos que Haddad ganhou colocando nossa grande Luiza Erundina (PSB) como vice, perdeu apertando a mão de Maluf (PP), o símbolo da direita e da corrupção, que num claro deboche disse que perto de Lula e do PT se sente “comunista”. Diante disso o PT e Haddad calam, e isso é preocupante.
                Luiza Erundina, porém, disse que não abandonaria a campanha de Haddad, porque não sairia do campo democrático-popular e socialista, ao qual sempre pertenceu.
                Dessa forma, o PT mantém em São Paulo sua coerência com a base aliada. Os partidos tradicionais da esquerda com uma parcela da direita, à qual faz concessões em excesso, abandonando o discurso de outrora, mais combativo e ideológico.
                Sobre Serra nenhuma novidade. Aliado com a direita tradicional, o DEM e o fisiologismo puro do PSD e do PR, com seu discurso moralista de sempre, para a “massa cheirosa”, para usar um termo da tucaninha travestida de imparcial Eliane Catanhede.
A situação atual de São Paulo
                O projeto privatizador foi avassalador para São Paulo. Na gestão Serra-Kassab, pois a gestão Kassab nada mais é do que a continuação da de Serra, proibiu-se o artista de rua, o vendedor ambulante, até os gritos nas feiras. Não se tolera a divergência, não se pode nem realizar manifestação na Paulista e muito menos comemorar título desportivo em via pública (pra quem duvida http://www.viomundo.com.br/denuncias/antropologo-da-usp-e-espancado-por-pm-na-avenida-paulista.html).
                Das 31 suprefeituras que existem em São Paulo, 30 estão nas mãos de coronéis da PM. Na cidade com um trânsito desumano, que faz com que o trabalhador demore 2, 3 horas pra chegar em casa até mesmo a CET (Companhia de Engenharia do Tráfico) está nas mãos de ex-coronéis da PM.
                Em 2014, a Copa do Mundo também trará muitos danos à cidade. Do lado do Estádio do Corinthians várias favelas serão removidas para que seja implementado de um parque tecnológico. A população, porém, não teve acesso ao plano de habitação realizado pela prefeitura, que apresentou o projeto apenas para a maçonaria, o Rotary Clube e a elite financeira. Está prevista a remoção de 4.000 famílias pelo menos
Não que seja essa uma grande exceção. Como em todas as metrópoles o neoliberalismo também afetou a maneira de se pensar a cidade em São Paulo. Várias famílias estão sendo removidas, a despeito do fato de que a urbanização das favelas custa mais barato, isso quando as favelas não são incendiadas. Some-se a isto o fato de que a CPI dos Incêndios está atrelada ao governo Kassab e a conclusão se torna óbvia. (Mais informações em: http://raquelrolnik.wordpress.com/).
Pra que lado pende a balança?
O que devemos, então, levar em conta na hora de pensar no que fazer?
Primeiramente, o Plano de Governo de Haddad está registrado na íntegra no TSE e foi feito por intelectuais do calibre de Ricardo Musse, sociólogo da USP e grande marxista, enquanto que o de Serra (PSDB) se reduz a uma meia-dúzia de páginas com algumas intenções. Seriam os planos de Serra tão assustadores, assim, que ele não pode sequer mostrá-los para a população? Felizmente o conhecemos de longa data.
Além disso, sempre achei que para conhecer um candidato nada melhor do que saber quem está com ele.
Serra traz consigo o assustador surto de conservadorismo da classe média paulistana, além das viúvas de 1964, Coronel Telhada (ex-comandante da ROTA), enfim, o que tem de pior e só. Se por um lado Haddad traz Maluf e o PP, traz consigo também Marilena Chauí, Zé Celso Martinez, Luiza Erundina, Bernardo Ricúpero, Raquel Rolnik, Gabriel Cohn, José Miguel Wisnik, Jorge Grespan. Enfim, uma longa lista de intelectuais e grandes figuras da esquerda.
O que faz a diferença é que Serra é apoiado por quem sustentou esse projeto excludente nos últimos anos e só. Haddad traz consigo a sensibilidade e o rigor analítico e prático da esquerda, que vai além do senso comum que está por trás da candidatura de Serra e constitui uma séria ameaça para a democracia.
A esquerda precisa ser responsável. Votar nulo é ajudar o proto-fascismo a continuar agindo impunemente por aí, é se omitir perante a uma figura que conhecemos muito bem.
Não tenho quaisquer ilusões em relação a um eventual governo de Haddad. Sei que não será uma gestão socialista, muito menos a repetição da brilhante experiência que tivemos com Luíza Erundina em 1988, mas será, sem sombra de dúvidas, muito menos nefasta do que a continuidade do caos em São Paulo.
Por isso, não podemos ser inconsequentes e nem achar que o “menos pior” é mais do mesmo. Temos a obrigação de barrar o fascismo.
NO SEGUNDO TURNO, VOTAR 13 E ELEGER HADDAD.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eleições na Venezuela: Outro passo adiante!




                Abrem-se as urnas e confirma-se o triunfo popular de Hugo Chávez Frías. Triunfa a candidatura da revolução bolivariana, que continuará levando adiante seu projeto transformador.
                Em 2005, a Venezuela foi declarada pela UNESCO como território livre do analfabetismo, de 1998 a 2006 a pobreza extrema baixou 50% e a pobreza geral 32%, a Mision Barrio Adentro levou a saúde pública com qualidade para milhares de venezuelanos pobres, que não tinham acesso a esse direito inalienável, uma bela parceria com Cuba, que enviou vários profissionais para ajudar a iniciativa.
                Também se fortaleceu a democracia. 16 eleições de 1998 pra cá, uma Constituição aprovada pelo voto popular (FATO INÉDITO NA HISTÓRIA), que permitiu a refundação da República Bolivariana da Venezuela e uma garantia de maior democratização, da cidadania, bem como igualdade de gênero, uma taxa baixíssima de desemprego, um salário mínimo que é o mais alto da América Latina, redução da desnutrição. Enfim, coisas do “idiota latino-americano” de esquerda. (Ver em http://venezuela-us.org/es/wp-content/uploads/2009/05/Fact-Sheet-13-in-13-ESP.pdf)
                Aliás, as Misiones são tão importantes e tão bem-sucedidas que Capriles prometeu a continuidade delas caso fosse eleito, numa tentativa desesperada de conseguir votos.
                A imprensa venezuelana também quis pintar a imagem de que Capriles era o Lula Venezuelano, mesmo quando o próprio Lula declarou apoio a Chávez.
                A vitória de Capriles Radonski, que apoiou o golpe fascista de Abril de 2002, repudiado pelo povo – como mostra o documentário “La revolución no será televisada”, significaria um retrocesso sem tamanho para a esquerda latino-americana e traria sérios riscos para a continuidade da democracia na Venezuela.
                A ofensiva neoliberal dos anos 1990 foi anunciada como a última pá de cal a ser jogada em cima do campo democrático-popular, em cima do socialismo. O “idiota latino-americano” estava morto. Várias crises depois, o verdadeiro idiota pode ser facilmente identificado como aquele que aceitou as receitas maravilhosas do Consenso de Washington.
                A Venezuela é socialista? Não. A Revolução Política em curso pode evoluir para uma Revolução Social? Acredito veementemente que sim! A população está conscientizada e mobilizada como já demonstrou em diversas ocasiões.
                A derrota do “bom moço” Henrique Capriles significa um não à volta ao passado, à perda de direitos sociais, que são um passo muito importante  se nossa meta é a superação do capitalismo.
                Nesse 08/10/12, não há melhor forma de lembrar Che Guevara do que festejando a opção do povo venezuelano pela continuidade da Revolução Bolivariana, no caminho do socialismo. Como escreveu Che numa dedicatória a Allende: “A Salvador Allende, que por distintos métodos, trata de obtendrer lo mismo”. Acho que essa mensagem pode ser facilmente levada a Hugo Chávez, que é sem dúvida um ícone importantíssimo da esquerda mundial.

Che Guevara vive!

A 45 anos de sua morte, minha singela homenagem al Comandante!


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A Esquerda Marxista do PT e os problemas da Esquerda no Brasil





A Esquerda Marxista do PT, corrente pela qual sempre nutri grande respeito e apreço, lançou na quarta-feira do dia 12 de setembro de 2012, uma nota intitulada “A política de alianças da Direção do PT e de Lula está levando o partido à derrota” (ver no link a seguir http://migre.me/aMdWU).
A análise em relação ao PT é perfeita, valendo-me da aliteração. O Milton Temer (do PSOL-RJ, e ex-deputado federal pelo PT, um homem brilhante e honrado) já havia alertado em carta aberta à militância do PT o risco do desgaste que essa política de alianças e o abandono programático estava levando, evocando as lições da social-democracia europeia, mais precisamente da Espanha, que – num momento de crise, perdeu as eleições para uma direita retrógrada e nostálgica do franquismo.
Denunciando a aprovação de projetos do Governo contra os trabalhadores de forma consequente, chega a uma conclusão muito clara e correta:
“[...] Essa política de alianças, outrora apresentada como a razão das vitórias eleitorais agora mostra a sua cara. Quando o PT estava forte e com a militância nas ruas o partido tinha candidatos e se impunha ganhando eleições. Foi assim que chegou à presidência. Mas, esta política de colaboração de classes e de subordinação do PT aos interesses dos capitalistas corrói o partido, desmoraliza e afasta a militância. [...]”
Diagnosticando que a manutenção dessas políticas de conciliação só pode levar a classe trabalhadora a “derrotas trágicas”, parece deixar claro que dentro do PT não há mais muito por se fazer. A tática de ganhar posições dentro do PT não deu certo. A direção petista não está mais interessada na ruptura da ordem, muito menos em fazer reformas que poderiam causar algum incômodo para o mercado financeiro em prol dos trabalhadores.
Porém, nem tudo é o que parece. A Esquerda Marxista em seu documento critica de forma acertada o PCdoB como um partido sem princípios, basta pensar no código florestal e sua presença em coligações com o PMDB ou PP e até mesmo com o PSDB em alguns lugares, também o PSTU por seus desvios esquerdistas e infantis, que pode ser notada em suas ações sempre destrutivas e nunca construtivas e o PCO como “ultra-esquerdista” e “inútil”, e de fato o é, está mais preocupado com debates acadêmicos do que com a construção de um projeto socialista para o Brasil. Comete, porém,  injustiças graves em relação ao PSOL e ao PCB.
Em relação ao PSOL, comete um erro de análise que é muito cometido contra o PT e que sempre foi objeto de críticas por parte de militantes honestos da base do PT. Concebe o PSOL como um bloco homogêneo, criticando a direção por buscar uma política de Frente Popular, lembrando também da crise do Partido em 2010, quando Heloísa Helena quis apoiar a candidatura de Marina Silva do PV e tentando relacionar isso de alguma forma com o “reformismo” da direção. De fato, Heloísa Helena (com a qual tenho divergências seríssimas que me fazem duvidar muito do caráter “socialista” dela), tentou apoiar Marina e foi impedida pela base do Partido, e isso a Esquerda Marxista oculta, prefiro acreditar que é por falta de informação, acabando por não tocar num ponto muito interessante: os militantes do PSOL não querem apoiar candidatos da ordem, estão mais interessados em construir um projeto próprio da esquerda, o que demonstra um potencial animador.
Sobre uma suposta formação de uma Frente Popular, seria melhor do que o PT, que busca formar uma Frente Anti-popular (brincando com o conceito) que aglutina setores do conservadorismo, que como o Vladimir Safatle advertiu, estão ganhando vida própria e são muito perigosos para a classe trabalhadora porque fugiram do controle do Governo, é só pensarmos no Russomano, do PRB, liderando com folga as pesquisas de intenção de voto em São Paulo.
Não acho que a intenção do PSOL seja formar uma Frente popular porque nunca vi qualquer ilusão em relação à uma suposta burguesia-nacional disposta a apoiar uma revolução nacional-democrática, o que torna a crítica anacrônica.
Entretanto, a crítica que se direciona a um setor majoritário do PSOL que fez a opção de ser um partido essencialmente moralista, entrincheirado com a bandeira de ética na política é bem correta, pois o ponto que devemos tocar é o de que a corrupção beneficia certos setores por uma questão estrutural, que não deve ser reformada, mas que segundo o que nós, socialistas e comunistas, acreditamos, deve ser destruída.
Em relação ao PCB a crítica é ainda mais séria. A de que o Partido é “muito pequeno” (ora, e a Esquerda Marxista ou o PSOL são muito grandes), além do fato de que não faz questão de compreender a questão do estalinismo e do papel que o PT desempenhou em relação à classe trabalhadora.
Com relação ao Partido ser muito pequeno, o próprio Alan Woods (um marxista brilhante, que lidera a Corrente Marxista Internacional, da qual a Esquerda Marxista é secção no Brasil), colocou em uma palestra, da qual me lembro muito bem, pois me encheu de ânimo, que o Partido Bolchevique no período pré-revolucionário era inexpressivo, mas que com o desenrolar das condições históricas que se foram dando, foi num crescendo que tornou aquele Partido poderoso e com muitos militantes.
Além disso, o PCB em Seminários realizados com grandes quadros intelectuais e com uma trajetória no mínimo respeitável e honorável de lutas no começo do ano se abriu para uma profunda autocrítica em relação à sua História. Criticando a concepção nacional-democrática de revolução, criticando o reformismo nos anos 80, que levou ao racha de 1992. Enfim, quando se criticam essas concepções, será que não se tem senso autocrítico?
Com relação ao papel que o PCB vê no PT, não vejo isso de forma tão categórica. Há divergências entre vários militantes sobre o que foi o PT e o que levou a esse transformismo.
Diante desse quadro, como se pode pensar numa saída?
Primeiramente, TODAS as organizações políticas da esquerda precisam de um banho de humildade. Elas não são o partido de Lênin, e a política de autoproclamação já levou a derrotas demais para insistirmos na mesma estupidez.
Os problemas mais sérios e as lutas mais candentes no Brasil seguramente estão no programa de todos esses partidos e organizações, seja pela Reforma Agrária, seja por combate à especulação imobiliária.
A crítica entre camaradas deve ser rigorosa, com embasamento, mas sempre num sentido construtivo e dialético.
O fato é que precisamos criar canais de diálogo para a esquerda, que quando se reúne numa mesa para conversar não consegue manter uma conversa civilizada por nem 5 minutos. E isso num momento em que o conservadorismo volta a ganhar força na mídia, nos setores religiosos e até mesmo entre alguns pseudo-intelectuais. Some-se a isso a crise da direita tradicional (PSDB e DEM) e iniciativas como a criação do Partido Militar Brasileiro (o PMB), mais o afastamento dos jovens não só em relação à ação política, mas também ao pensamento político e nos vemos numa situação bem complicada.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A mobilidade urbana em São Paulo, por Gilberto Maringoni

Vídeo da campanha Maringoni para vereador.


Diálogos de paz na Colômbia – Um passo à frente e um futuro incerto.







            Uma notícia sacudiu os meios de comunicação de todo o mundo nos últimos dias. Depois de um intenso ano de batalhas e baixas, por fim o Governo Colombiano e as FARC-EP resolveram sentar à mesa para iniciar conversas pela paz, tendo a mediação dos governos de Cuba e Noruega, tendo já o apoio dos governos chileno, brasileiro e venezuelano.
                De repente, um tema que por tantas vezes é marginalizado da pauta dos jornalões e que quando é tratado o é de forma muito parcial, volta à tona com a seguinte pergunta: Qual será o futuro das negociações?            Aqueles que conhecem um pouco da História colombiana terão muita dificuldade em acreditar na possibilidade de um verdadeiro progresso.
Na década de 1980, durante o governo Belisario Betancourt, as FARC resolveram juntamente com outras forças da esquerda formar a Union Patriótica para concorrer às eleições, passando a fazer política dentro do terreno institucional e demonstrando, então, disponibilidade para uma alternativa ao conflito armado e que teve por volta de 3 mil membros mortos (entre eles prefeitos, deputados, candidatos à presidência, dentre outros militantes) por  grupos paramilitares, com a mais vergonhosa conivência do governo, que simplesmente calou diante dos fatos e com participação direta de seus membros e das Forças Armadas. Restou a esses militantes ou o exílio ou a volta à luta armada. (Sobre o tema há dois documentários interessantes: “El baile rojo” e “Memoria de los silenciados”).
Durante o governo Andrés Pastrana, na década de 1990, houve por parte do governo uma proposta de diálogo, tendo sido criada uma zona desmilitarizada para o diálogo, bruscamente interrompida pela ausência de Manuel Marulanda (líder histórico das FARC, morto em 2008) por questões de segurança, tendo o governo, dessa forma, cedido à pressão dos Estados Unidos e renovado o acordo com Bill Clinton para a continuidade da intervenção militar norte-americana no País. Entretanto, vale ressaltar a ofensiva militar e o aumento de sequestros promovidos pelas FARC durante esse período.
Embora o retrospecto seja sobejamente desanimador é preciso compreendê-lo dentro da atual Colômbia, e não como há 40 anos como gostam alguns militantes da esquerda e da direita.
Houve, depois do governo proto-fascista de Alvaro Uribe, um despertar da esquerda. Denúncias de violações aos direitos humanos, a cassação do mandato de Piedad Córdoba (interlocutora junto com Hugo Chávez de diversos acordos humanitários para a liberação de sequestrados em poder das FARC), influenciaram uma maior mobilização da sociedade civil colombiana, que viu nascer a Marcha Patriótica e a agrupação Colombianas e Colombianos por la Paz e as mobilizações estudantis em 2011.
As FARC deram muitos passos à frente nos últimos tempos, tendo se colocado a disposição para libertar seus sequestrados e tendo abandonado uma prática que nada tem a ver com os ideais da esquerda, o sequestro de civis – e de qualquer civil, mais precisamente.
Resta saber se os latino-americanos podemos confiar em Juan Manuel Santos, atual presidente colombiano e ex-ministro da Defesa de Uribe como alguém confiável para o diálogo. A verdade é que os colombianos não aguentam mais o conflito armado e que sua saída pela intervenção imperialista, além de ser ultrapassada, nefasta e devastadora para os povos da América Latina, se mostrou indubitavelmente um fracasso. Sabemos que nunca se tratou de uma Guerra às Drogas na Colômbia, uma vez que os paramilitares e os grande narcotraficantes historicamente estiveram aliados com o governo e com o Exército para combater as FARC, pelo menos até meados da década de 1990.
De qualquer forma, parece ter-se dado um passo à frente.